Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

quiet is the new loud

Há um espaço inexplorável em nós que se ocupa apenas de imaginação. Esta frase poderia levar qualquer um para Narnja. Pode parecer tosco, mas é garantido que sim. Numa noite de Verão, o som de dois violões vindos de uma terra fria, duas vozes perfeitamente sintonizadas, o sonho de umas ilhas paradisíacas, o toque leve da dor, a melancolia e o cinismo do amor. Depois, o corpo e a dança; mares revoltos, nuvens carregadas e o silêncio dos dias em ligeiros harpejos harmónicos que ondulam em tons de brisa quente. Enfim, o calor dos sonhos. Faltou lá alguém. Mas a Casa estava cheia e não desiludiu. As novas bossas da Noruega também não. Mantém-se belas como a cidade onde vieram parar e a quem avisaram: with great beauty comes great responsability. Preservem-se.

A tocar...

kings of convenience - summer on the westhill

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Music is my aeroplane (em estrangeiro para mostrar que sou poliglota)

Às vezes dou comigo a olhar para dentro de mim mesmo e a ver se está alguma divindade lá dentro. Mas não. Sou só mesmo eu. A questão é que sou Belo! E depois dou por mim a fazer compilações para uma viagem de 300 km's. Porquê? Porque sou uma pessoa com imenso bom gosto e não ouço qualquer merda.
Por isso, para quem me quiser copiar aqui vai a minha lista para o Verão. O critério foi ser tudo coisas alegres. Sou espectacular, não sou?

1. The return of the Las Palmas 7 - Madness
2. The wet t-shirt contest - Frank Zappa
3. Real Wild Child - Brian Setzer
4. Respect - Otis Redding
5. Sex & drugs & rock'n'roll - Ian Dury and the blockheads
6. Rock the Casbah - The Clash
7. Rocks - Primal Scream
8. The Architect - dEUS
9. Ankle injuries - Fujyia & Miyagi
10. Let forever be - Chemical Brothers
11. 23 - Blonde Redhead
12. I'd rather dance with you - Kings of Convenience
13. Red Hot Chili Peppers - Aeroplane
14. Psycho Killer - Talking Heads

A minha única dúvida era o começo. O "The Return Of Las Palmas 7" é claramente um tema de despedida. Mas a combinação com o "The Wet T-Shirt Contest" é deliciosa. Experimentei várias coisas: Bowie, Talking Heads, Beatles, Depeche Mode, Tiago Guillul (seria a opção mais forte com "Beijas como uma freira"). Decidi-me por esta infracção clara de pôr este tema de Madness para começar, mas fica muito catita.
Depois para o final fiquei indeciso. O "Aeroplane" era indiscutivelmente a melhor música para acabar. Mas, o "Psycho Killer" ou um tema de Monty Python eram essenciais numa compilação destas, que vai desde as graçolas, ao rock'n'roll dançável e à dança total. Acabei por deixar aquela, num género de bonus track, escolhendo propositadamente a versão ao vivo, do Stop Making Sense (quem não tiver este disco é comunista). Até porque me lembrei que o disco depois voltava ao início e esta combinaria melhor.
Estou a ser subvalorizado e tenho um talento enorme.

O Benfica andava de olho nele, mas...

Karadzic vai ser transferido para Haia.

Eu também curto largo

Num ataque de ingenuidade maciça, o Rui Tavares acaba por acreditar que o realojamento de pessoas vindas dos insustentáveis bairros sociais pelas cidades é uma coisa absoluta. Não tem em conta modos de vida, diversidade cultural, etc. De certa forma ele acredita que a integração é imediata e que o mundo é maravilhoso e em arco-íris. Eu também gostava de acreditar, Rui. Mas não é bem assim. As comunidades que se espalham por esses bairros têm comportamentos que não podemos catalogar de tão irregulares que são. O seu realojamento é de análise muito difícil e não é um truque de magia que se faz e prontes.
Bom exemplo, para já, é a situação do bairro do Aleixo, no Porto. A proposta do executivo camarário parece bastante interessante e sensata para um bairro que tem índices de criminalidade altíssimos. Essa proposta vai no seguimento do que o Rui disse, não tem é as mesmas condicionantes sociais.

24/7

Sabemos que não há cura para este blues de Verão. Embora o sol obrigue a sorrisos forçados, a corpos descobertos e bronzeados, o Verão não é suficientemente reluzente para derreter a dor. Então, mistura-se a dor com o prazer. Dia amargo e noite doce. Uma pirueta mortal em forma de música. O toque culinário sádico de Deus.

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Deus é grande e o Filinto ainda é maior!


I'm fucking going!!!!
Mesmo assim é uma pouca vergonha a história dos bilhetes. Mantenho-me indignado com vontade de esganar a burguesia!

Da verdade

Na leva da temática "música: produto ou prazer? Verdade ou tanto faz?", a ler estes dois posts (I e II) de um tipo bonito e sensível lá da província de Gaia, que gosta de poesia francesa do séc. XVIII.

Dantes o tempo corria lento

Hoje* há um concerto de Kings of Convenience aqui no Porto. Como é óbvio já não há bilhetes há meio ano. Os bilhetes são postos à venda com meses e meses de antecedência. Abdicarei eu de outros planos para comprar um bilhete? Dever-se-á cinjir a minha vida a uma compra antecipada? O que se passa, nos dias de hoje, para esta fúria na procura de bilhetes? É a pressa de ser gente ou a tentativa de. Numa sociedade cada vez mais globalizada ter o que os outros não têm é um sinal de elitismo pateta. Eu continuo a preferir a minha paciência antiga. Sou um velho. Mas prefiro dançar do que falar com eles.

*afinal é amanhã, mas também... interessa um grosso, já não há bilhetes.

Um poema, que é uma canção, num dia em que a memória são facas cravadas

Monção

Não importa de onde vim
Quantas sombras persegui
O tempo não passa por mim
Quando tu estás aqui

O tempo não passa por quem
Se perder no mar, mar
És o meu mar
O tempo não conta p'ra quem
Se encontrar no mar, mar
Sempre no mar

Tantas vidas para viver
Quantas faltam eu não sei
Que o tempo deixou de correr
Quando eu te encontrei

O tempo não passa por quem
Se perder no mar, mar
És o meu mar
O tempo não conta p'ra quem
Se encontrar no mar, mar
És o meu mar


Francisco Menezes (Sétima Legião)

Domingo, 20 de Julho de 2008

De como os diálogos do Rambo se tornam em peças únicas de erudição

Há coisas que nos enchem o ego porque ao olharmos para elas, e em comparação, vemos que somos (eu pelo menos) espectaculares e pessoas geniais. É isso que sinto quando vejo - e o motivo por que vejo - o Fama Show, o programa mais espectacular em termos de quantidade de bosta acumulada num curto espaço de tempo. E o Fama Show consegue mesmo ser o melhor nisso. As pessoas que contribuem para o Fama Show conseguem aguentar uma semana com um microfone na mão cujo movimento não é controlado por um cérebro. Há uma possibilidade destas pessoas terem um cérebro num cacifo. No entanto, para já é apenas especulação.
No meio disto conseguem ridicularizar pessoas inocentes como o puto que está num campo de treinos da Nike, que contou com a presença de Rui Costa, e que diz que não queria o Rui Costa, preferia o Zé Pedro ou o Silas, porque é do Belenenses. Ora, há um limite para a falta de bom senso. Ridicularizar uma criança assim só por causa de um programa de televisão, por mais espectacular que seja, é criminoso.

um vídeo ao domingo



"Don't cry
Don't raise your eye
It's only teenage wasteland"

Sábado, 19 de Julho de 2008

há que dançar

é fim-de-semana e os infelizes que ainda têm uma vida mais infeliz que a minha podem passar por aqui e não têm que levar com a minha depressão constante. ai foi por vontade de deus e o caralho.
por isso peguem lá disto e toca a mexer o rabiote, ir apanhar sol, et ceatera e tal.

a tocar, no modo "gostar de pretas" como o grande vieira:

nneka - heartbeat

Da persistência

Nenhum contrato civil seria suficiente para assegurar a minha convicção de plena comunhão de vida. Nenhuma indemnização faria de mim ainda mais precário. Nenhum outro efeito seria tão sincero como este.

Otto(ário)

Estou a ver na SicN uma reportagem sobre o festival Delta Tejo e há um tipo alemão que canta reggae com sotaque jamaicano. Pqp! 

The National


Há pessoas estúpidas que nunca foram a Guimarães. Depois de uma péssima educação, provavelmente de esquerda e essas merdas, nunca perceberam que não é preciso ir para o estrangeiro e o caralho para ter orgasmos nas vistinhas. Eu que sou um malcriadão de primeira apanha e um bronco, para além de achar Lisboa a cidade mais bela da Via Láctea, já que por problemas financeiros nunca pude aspirar a mais longe, acho que Guimarães é a segunda cidade mais bela da milky. Ainda por cima os gajos são portugueses e não uns vendidos como os vizinhos melistas. Tanta portuguesidade só podia dar num concerto cintilante dos não menos pisca pisca The National. Sou feliz e esclarecido, cambada de ignorantes! Ah! E escrevo poemas baseados em artigos do código civil, tipo o acordo de vontade das partes. Sou belo!

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Conceitos a reter para melhor compreensão dos telejornais do séc. XXI

carjacking
homejacking
motojacking
walletjacking
virginityjacking
irsjacking
bankjacking
churchjacking
boy/girlfriendjacking
brainjacking

Milagre

Se alguma coisa saiu de bom do caso da Quinta da Fonte foi ver um Governador Civil a trabalhar. Um inédito da jovem democracia. 

Mandela

Não sou um conhecedor profundo da história de "libertação" dos povos africanos. Conheço Mandela da televisão, como quem conhece o Herman José e a sua vida através do Fama Show. Para mim Mandela não é tão diferente assim de outros líderes do mundo que lutaram por aquilo em que acreditavam, como Fidel, Mugabe ou José Eduardo dos Santos.
No entanto, Mandela, não sei porquê, tem ar de bom homem, e isso é tudo o que posso dizer. Tem ar de bom homem.
Passou por um regime miserável e enfrentou uma das lutas mais difíceis do mundo e que ainda hoje tem os seus efeitos pelas ruas de Joaneburgo.
Mandela faz hoje 90 anos. Um lutador que tem o seu lugar na História do séc. XX. Desprezá-lo é desprezar uma das nossas maiores batalhas, e possivelmente uma vitória futura: a luta anti-racista.

Hoje, também no Auto-Discografia.

Pablito


Na entrada do séc. XXI era um dos meus jogadores preferidos. Julgo que continua a ser um jogador tecnicamente excepcional e de grande inteligência. As lesões têm-no deitado abaixo e provavelmente arruinaram o seu percurso que, ao contrário de muitos da sua geração, não foi de sucesso pleno.
Já cá canta Pablo Aimar - o novo nº10 do Glorioso!

Razão tinha Aron

Mas, aqui ficam outros contributos para uma discussão que não terá fim à vista, para já. E digo outros porque são mais os contributos a favor.
Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, duas posições contra:
Funes, el memorioso: "Fracturas exposta II: uma resposta a WOAB"
Pedro Picoito (Cachimbo de Magritte): "Do casamento entre pessoas do mesmo sexo".

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

listinhas

Na lista para melhores do ano estão já, bem cotados e provavelmente sem hipótese de sair:

Nick Cave - Dig, Lazarus, dig!
The Dodos - Visiter (que grande disco)
Tiago Guillul - IV (o de cima foi responsabilidade deste senhor e do maradona)

Só ainda não comprei o Visiter, mas está por horas, tipo Aimar.
Ainda em audiência preliminar encontram-se os arguidos Tricky e Nneka. Erykah Badu poderá ser elevada a melhor à primeira música. A ver vamos.

There ain't no cure for the Summertime Blues

A tocar...

Eddie Cochran - Summertime Blues

Da cultura I

A palavra cultura encontra a sua origem na descrição daquilo que se planta no solo e de que se cuida para que cresça e dê frutos. A lógica com que ela foi utilizada para descrever os costumes sociais e o conjunto das criações artísticas do Homem é, portanto, uma lógica correcta, sem me querer alongar mais nesta questão.
Nesse sentido de cultura, o cuidar paciente e planeado é essencial para que os frutos sejam, de facto, os esperados. Aqui, entende-se frutos como uma comunidade instruída ou pelos menos disposta a instruir-se e procurar.
A função do ministério da cultura, em grosso modo, é criar condições para que haja oferta e procura, e que estas se encontrem num patamar de qualidade que não mais as afaste; qualquer coisa sólida que as fixa e não um conjunto de efemeridades.
Posto isto, na identificação dos problemas graves do sector cultural encontramos dois que me parecem fundamentais resolver: a falta de projecto cultural e a consequente falta de formação de públicos.
Centremo-nos na formação de público, para já.
É sabido que o público é, por norma, ignorante, preguiçoso e desinteressado. O primeiro combate será diminuir o mais possível estas características. Para isso, não basta só vir cheio de ideias para implementar de imediato. Este é um trabalho longo e cujas raízes precisam de estar bem consolidadas. A parte inicial deste trabalho deverá ser definir o âmbito das competências culturais com as autarquias e Estado central. Depois, promover a participação dos cidadãos em actividades lúdicas, por mais populares que sejam. Trazer os cidadãos para a rua e fazê-los trabalhar para a sua própria diversão e entretenimento é fundamental para a formação de públicos.
É mais fácil cativar uma comunidade que convive e que troca conhecimento. São cada vez menos os que vão transmitindo velhas sabedorias de rua. Tudo é relevante para o conhecimento. Não tem de ser só aquilo que a elite cultural julga. A rua é essencial porque gera competitividade e interesse pelo desconhecido. Fechado em casa, o cidadão terá mais tendência para sair cada vez menos.
Depois deste passo importante na mentalidade do Estado, convém então passar à parte em que se aposta num plano para abrir as portas das salas de arte e do espectáculo (palavra feia para aqui). Começa, assim, a hora de demonstrar a diferença real entre cultura e entretenimento.
Se por um lado compete a cada localidade promover a sua própria cultura, para o seu público específico, por outro lado compete ao Estado amparar as associações e afins que o queiram fazer. E amparar não é subsidiar. Amparar é dar condições infra-estruturais, servir de elo de ligação e disponibilizar todo o material possível que ajude ao estudo e ensino das várias artes.
Nesta fase, ou até mesmo na fase anterior, a formação propriamente dita é fundamental para que os mais novos comecem a caminhar no bom sentido em vez de andarem a ser re-direccionados posteriormente.
Também nas festividades das vilas, das cidades e dos municípios não deve o Estado interferir, dando à sociedade civil a capacidade de fazer o papel de agente directo na produção cultural. 
Hoje, torna-se fácil enfiar um palco numa praça com dois ou três grupos et, voilá! temos o Senhor de Matosinhos. Enquanto isso, os cidadão perdem noção da sua própria origem.
Temos, em suma, o incentivo à participação, a formação e a produção não-estadual (o que não quer dizer que seja privada) como sementes de um plano que teria de ser pensado a longo prazo. Como se diz e bem, a pressa é inimiga da perfeição. Não que queiramos ser perfeitos, mas pelo menos iludimo-nos que somos um bocadinho melhores.

Em sede própria

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinho, está a falar aos portugueses no programa da Dona Fátima, na SIC.

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Em uníssono

Em stereo, em sintonia, sei lá, vá!

Estão um bocado estragados, mas vá... é de boa vontade!

Hezbollah entrega a Israel os cadáveres dos dois soldados israelitas sequestrados em 2006

Maus agoiros, por Deus

Christian Rodriguez, liga dos campeões e Pablo Aimar. A época ainda não começou e o Benfica já está a perder.

Garrettismo

O século XIX recebe o teatro, sobretudo, como um divertimento festivo que já começara também a assumir-se como uma forma social de convívio. Sabemos que os liberais realçaram a vertente pedagógica de que se poderia revestir esse divertimento, pugnando para que se tornasse, simultaneamente, "um grande meio de civilização".

Ana Isabel P. Teixeira de Vasconcelos; 
O Teatro em Lisboa no tempo de Almeida Garrett

O Pintismo

Ainda há pouco tempo saltou para a Ajuda e já começa a aparecer. Primeiro inteirou-se do cargo. Certamente que começou a trabalhar com afinco, disso ninguém dúvida. O silêncio inicial fazia-o parecer um homem reservado com o único objectivo de trabalhar.
É claro que, como já nos vai habituando este governo, assim que tomou duas ou três medidas apareceu logo na televisão a dizer que as coisas iam mudar, e que já dava sinais disso mesmo. É já um sinal sim senhor, mas de que António Pinto Ribeiro sofre do síndrome socretista, o do auto-elogio.
Eu acho muito bem que alguém mexa a sério na cultura. Mas esta pasta está tão desgastada que duas ou três medidas são um grão de areia. Como dizia o Dr. Lucas Pires, a cultura e a educação são maratonas extraordinariamente grandes. É preciso trabalhar muito e ter paciência para caminhar lentamente.
No entanto, a vaidade acaba por prevalecer e as últimas aparições públicas do ministro mostram a sua vontade em fazer esta sua Era ficar conhecida como "O Pintismo", ou o novo Garrett.
O leite, senhor, engenheiro! O leite!

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Abate-se a tristeza ao cair da noite

Nada mais será belo, nem o crespúsculo das tardes de Agosto em frente ao mar da Costa de Caparica, enquanto se bebe um gin tónico e se ouve chill out datado no tempo. Nunca poderei ser ministro da cultura. Aquele CV equivale às maroscas do Batman e dos médicos. A Ana Lourenço nunca olhará para mim como eu tanto desejaria. A minha vida tornou-se num inferno sangrento. Não há espaço para os anarquistas do mérito. Oh, infortúnio!

Silly Season

Começou a altura em que toda a gente acha que se chegou à altura da silly season. Portanto, qualquer opinião tecida acerca de qualquer tema, de maior ou menor importância, é considerado fruto da silly season.
Este blog, tal como o primeiro-ministro e o seu ajudante Manuel Pinho, vive em silly season o ano inteiro, excepto às segundas-feiras, quando são publicados poemas, demonstrando-se assim o lado sensível e culto do seu autor - pessoa que inclusivamente lê bastante e por vezes até chora. Na silly season deste ano falta Pedro Santana Lopes. We'll always have Só Visto e Fama Show.

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

já faltou mais

um celeiro na ribeira - a canção de bonnie prince


sentado num velho alpendre, virado a sul, o cantor vê a tarde cair sobre o prado. os pássaros sobrevoam os céus de kentucky e nas árvores assobiam harmoniosamente a imensidão dos campos e dos céus.
uma rapariga de gestos delicados e branca, como uma margarida, caminha descalça pela erva fresca. o seu corpo cheira a sol. são cantigas de amor que a luminosidade crepuscular vai levando pela noite, até chegar o calor abafado.
no alpendre, de pernas esticadas sobre o mundo, o cantor vê toda a realidade, toda a adversidade. a vida é melancólica e poeirenta. a america é sempre a mesma. os cowboys e os cavalos. os corpos entrelaçados. a chuva e o calor. os prados e os pássaros. o mundo cínico de quem prefere ficar assim isolado, longe de outra dor que não a sua.
nós, que estamos junto à ponte d.luiz, vemos assim o cantor, e a noite passa num instante dentro das pedras de um biggest mercedes.

Hoje, uma canção

Wolf among wolves

She loves a soul,
That i've never been
A dog among dogs,
A man among men
And every day,
When i come home to her
She holds a phantom,
She kisses and she hughs him
And I am not
Averse to how she loves him

Why must I live and walk,
Unloved as what I am

Why can't I be loved as what I am
A wolf among wolves, and not as a man
Among men

She craves a home
That she can go in
A sheltered cave,
That I have never seen
Not in my life,
And not even in my dreams

Why can't I be loved as what I am
A wolf among wolves, and not as a man
Among men


Bonnie 'Prince' Billy

Domingo, 13 de Julho de 2008

um vídeo ao domingo

Eu até gosto de ciganos, mas não é à minha porta

Toda a gente tem uma opinião espectacular sobre os tiros em Loures. Muitas dessas pessoas que têm uma opinião espectacular, como a jornalista que entrevistava uns são-tomenses que preparavam um casamento - por sinal, altamente espectacular - nunca puseram os pés no relvado. A vida, para estas pessoas que fazem análises sociológicas como quem faz um episódio dos Morangos com Açúcar, passa em directo na televisão e não na rua, propriamente dita (sempre quis usar esta expressão, é o máximo).
Estas mini-cidades farowest sempre existiram. Quem conhece Benfica ou o Bairro S. João de Deus no Porto sabe isso. Aqui não são os ciganos ou os pretos que têm culpa de alguma coisa por serem ciganos ou pretos. Os ciganos e os pretos até podiam ser encarnados que continuariam a fazer o mesmo.
Aqui não há ninguém que fique bem na fotografia. O Estado continua a engavetá-los a monte. Estas comunidades põe-se a jeito em vez de tentarem, pelo menos um bocadinho, afastar o crime das suas vidas. O tratamento que se lhes dá empurra a criminalidade para o seu lado, em vez de ajudar a afastar. Nós continuamos a ser racistas (e aqui eu poderia fazer uma dissertação espectacular sobre o facto de os portugueses serem racistas quando chega a hora de atribuir culpas e o limite são sempre os ciganos, mas limito-me a dar-vos isto para mostrar o quão espectacular eu sou). Eles continuam a achar que nós somos racistas e culpam-nos por todos os seus males e pelas suas escolhas infelizes.
Falta qualquer coisa.

Sábado, 12 de Julho de 2008

Carlos Queiroz

Parece que Carlos Queiroz é o novo seleccionador nacional. Portugal rejubila de felicidade, não se sabe bem porquê. Uns vêem Queiroz com os olhos que viram os triunfos de Lisboa e Riade, outros como o sucessor de Alex Ferguson e o responsável pela progressão dos jogadores do Manchester United.
Visto sempre como uma pérola do futebol, o professor, como o gostam de tratar, foi sempre uma promessa adiada. Dizem que seria o sucessor natural de Ferguson e o próprio admitiu que gostaria de ver o português no seu lugar. O problema é que quem manda no United não é Sir Alex. Na selecção teve a sua oportunidade, mas os "seus meninos" já eram estrelas mundiais com manias e vícios. No Real Madrid não aguentou um ano e fez uma das piores provas do clube, numa equipa cheia de vedetas. De facto, o único sítio onde teve sucesso pleno, para além das selecções jovens (altura em que ostentava uma bigodaça britânica) foi o clube inglês onde desempenhou um cargo técnico importante e reconhecido por todos. Com efeito, é num papel secundário que se releva. Para seu mal aceitou ser seleccionador.
Daqui a dois anos, quando formos arriados no apuramento para o mundial, todos dirão que sabiam que não era treinador, que tinham avisado e que já não era a primeira vez. Então, Queiroz quererá voltar para donde nunca deveria ter saído. Com algum azar o Man United fecha-lhe a porta porque já não estará lá Sir Alex para o receber. A sua carreira seguirá num clube mais fraco e daqui a uns anos acaba, por falta de competência. O professor será então escolhido, por préstimos à nação, para integrar num qualquer comité ou numa qualquer escola de formação. Na melhor das hipóteses consegue ir treinar o Benfica - clube que tem o mesmo estilo de mentalidade da selecção - e não conseguirá ganhar nada. Os jornalistas e opinion makers, que o recebem de braços abertos como um D.Sebastião, como não têm vergonha na cara, irão tratá-lo como um infeliz, um medíocre e o culpado pelos nossos desaires, a todos os níveis.
Na hipótese de ganhar alguma coisa, Queiroz não terá feito senão o seu trabalho. Em todo o caso, o seu futuro não será risonho.

Errata: tinha escrito Queirós mas será Queiroz.

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Depois de S.Mamede, o mundo!




via 5 dias

Diários de Che Carvalho

1. Para que querem as mulheres ser bispas? Não faz sentido nenhum que o género feminino, depois de ser enxovalhado durante séculos pela religião, colocado numa posição de inferioridade - e noutras, em algumas paróquias - se queira juntar ao bandido. É um género de síndrome de Estocolmo.

2. Devia ter seguido Teologia. Seria um prazer chegar a casa e dizer "Mãe, Pai, dispensei a Mistério de Deus, mas fodi-me a Profetas. Vai ter de ficar para Setembro."

3. O engraçado em 2008 é que está tudo em crise e sem dinheiro, mas vai tudo aos festivais e aos concertos, e continua aquela pregnant spree que eu anunciei há uns tempos. Está bonito isto, está!

4. Parece que querem resolver o problema do futebol. O melhor é ir buscar um bulldozer.

5. Estaciono o carro entre dois Smarts que carregam publicidade escrita nas portas. Dizem "O Continente de Gaia está a fazer parar o trânsito". Se ainda fosse uma jovem de seios roliços, agora o Continente de Gaia... Tá mas é a circular! Vida! Asinha, asinha!

6. As minhas ex-namoradas (aquele milhar que podem verificar numa biblioteca perto de vós, tinha de ser arquivado) escolhem sempre tipos mais bonitos e elegantes do que eu. Fico com a ligeira sensação de que eles não pensam o mesmo de mim.

7.

liv tyler


chet baker - my funny valentine

the candidate - a vida política de jorge c.

telefonam-me mais uma vez para formar uma lista para o psd. digo que estou afastado e que quero que o psd se foda. sou educado e explico porquê. durante 20 minutos sinto que a pessoa que me está a ouvir do outro lado nunca pensou em levar tanta porrada por telefone. começo a ouvir-me há 10 anos atrás. o mesmo discurso, nada mudou. serei sempre o melhor eterno candidato à junta de s.mamede. seria certamente o seu melhor presidente de sempre. a minha visão política autárquica não só é a melhor como a mais ajuizada. conheço bem esta cidade. o povo ama-me e eu amo o povo. give this man a cigar.

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

graçolas

a esta nova ordenação da igreja anglicana deveria ser dado o nome de "o corte inglês". coisas para a posteridade, meus senhores. para a posteridade.

A tocar...



Brian Setzer - Stray cat strut

hoje há estado da nação

à falta de melhor, canta-se. e canta-se bem. a cantiga é uma arma.

gente esclarecida na têbê

sem querer passei pela sic notícias enquanto procurava, sem sucesso, um programa com interesse suficiente para não me chatear. quando chego lá, dou de caras com a clara ferreira alves. parei. acompanhavam-na o frei bento domingues, a helena matos e a maria filomena mónica - que é como quem vai a vilar de mouros ver os kelly family, o james blunt, o phil collins e a banda da trofa. e o que estavam eles a dizer? que portugal passa por uma crise, que a culpa é de toda a gente - menos deles que são uns santos, o frei até é dominicano -, que os políticos são maus, que o estado de direito não funciona, que o jorge c. é uma pessoa linda. enfim, novidades que é bom, nada. nem que o aimar já está em lisboa para assinar pelo benfica, nem que o dylan decidiu dar mais um concerto para o jorge c. poder ver, nem que as pessoas que falam na terceira pessoa passariam a ser condecoradas no 10 de junho. disseram apenas aquilo que o meu barbeiro diz há 15 anos, que os putos que eu vi nascer e que hoje têm 15 anos dizem, que as pessoas com licenciaturas fracas tipo engenharia ou jornalismo dizem. foram gastar tempo de antena para dizer que ninguém quer saber de ninguém. a filomena mónica copiou o funes com a história dos países católicos se salvarem com a confissão, a helena matos copiou o filinto com uma piadinha sobre as notícias na roménia, a clara ferreira alves copiou-me a mim porque tudo o que alguém possa pensar, sequer, eu já disse. eu vejo-me aflito. entretanto, soube por portas travessas que há uma possibilidade de, se não chover amanhã, estar um rico dia.