Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

do tempo e do espaço



obrigado à shyza que desta forma me fez recordar a importância e o fascínio que um dia tive por coisas como aquelas que aconteceram há 40 anos.

Melk

Hoje, a Clara meteu-se numa estrada. É certo que não lhe vê o fim. Mas é só mais uma estrada Ainda agora começou, por isso há que ir devagar e depois logo se vê. "Não te aflijas que tudo vai já passar!"
Ah, pois... Parabéns e tal!

Hoje, a poesia à segunda é assim

Domingo, 19 de Julho de 2009

um vídeo ao domingo

Sábado, 18 de Julho de 2009

Uns filhos da puta

Há dois tipos de opinadores que me causam uma repulsa inclassificável: os jornalistas e a soberba dos factos, e os académicos com a sua sobranceria.

Estavam tão bem caladinhos nos seus gabinetes da universidade

Ora aí está mais um manifesto. Desta vez é o manifesto dos intelectuais, essa franja da sociedade cujo contributo e vontade de partilha é conhecido de toda a sociedade. Aliás, o intelectual português é conhecido pela sua pedagogia altruísta. Mas, adiante. Estamos à espera, a todo o momento, de um ou dois contra-manifestos. É assim que vivemos agora. Dantes escreviam artigos de opinião nos jornais, agora como já há gente a mais, fazem manifestos. Qualquer dia perdem a cabeça e começam a ensinar nas universidades.

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

A moderna alienação


Contam alguns amigos que os pais ou os avós falavam com a televisão nos primeiros tempos. Alguns ainda o fazem. O surgimento do aparelho alterou substancialmente os hábitos dos portugueses e muito rapidamente a "caixinha mágica" passou a ser uma obsessão. Duas, três, quatro televisões em casa, televisões portáteis, televisões na cozinha e na casa-de-banho. Em todo o lado, para não perder pitada do que se passa no mundo, televisões e mais televisões. Chegamos a casa e ligamos a televisão, jantamos com ela ligada, seguimos religiosamente a série e a telenovela. Chegámos mesmo a abdicar da nossa vida social para o fazer. E não é preciso nenhum Big Brother para justificar por que razão o fazemos. Vai muito mais longe do que isso, já que até o tele-vendas tem audiência.
Hoje, a obsessão mudou. Cada vez mais a internet ocupa o lugar da televisão. Notícias a tempo inteiro, milhares e milhares de blogs, dezenas de redes sociais, vidas e vidas por observar. O voyeurismo faz parte do homem e a internet alimenta-o com mais realismo, numa espécie de Big Brother espontâneo. Os computadores portáteis são cada vez mais visíveis. Poucos lhe dão um uso exclusivamente profissional, mas é seguro que a grande maioria seja um utilizador dedicado do MSN, do Hi5, do Facebook, do Twitter. Janelas e janelas de chat abertas; dezenas de mensagens sobre o que se está a fazer no momento; frases do dia, citações ranhosas e lamechas e clichés.
A internet deu às pessoas aquilo com que sempre sonharam e com que os seus avós já sonhavam também: falar com a televisão. A necessidade das pessoas nunca foi adquirir conhecimento e informação, mas sim coscuvilhar a vida alheia e ter companhia para poder falar da sua. Daí o interesse pelas novelas. Há sempre uma necessidade de fazermos da nossa própria vida uma novela. Por isso criamos blogs e micro-blogs e alter blogs e outras mil ferramentas.
Esta nova obsessão que nos prende ao novo ecrã, a que agora chamamos monitor, está a espalhar-se como as televisões na cozinha e na casa-de-banho. Há quem ache que é o futuro do amanhã. Pois eu acho que, tal como a televisão, é só mais um motivo para nos afastar da realidade, por preguiça ou por medo. O resultado não será certamente positivo.

na única manhã livre que tenho em 2 semanas

a indecisão é muita. Não sei se hei-de cortar as unhas dos pés ou das mão, nem sei se faça a barba ou vá cortar o cabelo. Tudo é que não pode ser senão fico sem tempo para aproveitar a parte do "livre" da manhã. Que pressão filha da puta!

Lust for life

É esta a altura em que se começa a contar o tempo por décadas? A memória traz agora datas concretas e a ideia das coisas é cada vez mais próxima. Foi tudo ontem. E quanto mais próxima é a memória e mais longe vai o tempo, maior é a ideia de que nos construímos com solidez e que não somos um mero produto imediato. No fundo, a memória é isso.
A 17 de Julho de 1999 saía à pressa daquela que naquele preciso momento deixaria de ser a minha escola. Corri pelo portão fora deixando para traz os melhores anos da minha vida e um último exame (de Filosofia) que me valeria 17 valores, mais tarde. Cá fora, ele esperava-me dentro do carro, já com a minha bagagem. Apanhámos um outro pelo caminho e seguimos em direcção à Ilha do Ermal.
Tenho quase a certeza que já dentro do carro disse que tiraria um ano de férias. Acabei por tirar dez. Talvez a parte de mim que naquela noite iria dançar descontroladamente ao som de um velho punk americano tomasse conta do todo e, imperativamente, adoptasse a lust for life.


Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

regressos

Enquanto eu sou sujeito a sacrifícios que não lembram ao diabo surgem dois regressos muito aguardados por mim. A Vida Breve e A Origem das Espécies estão de volta. Aleluia!

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Eu nem acredito que estou a dizer isto

Mas a falta de tempo (meu Deus) afasta-me do blog por uns dias e espero que com resultados. Sem poesia à segunda. Sem nada. Não há tempo.

Domingo, 12 de Julho de 2009

um vídeo ao domingo

Sábado, 11 de Julho de 2009

Diferenças

Acordo a pensar que a provocação involuntária e a dissimulação são conceitos muito diferentes. Enquanto a primeira pretende apenas ser um desabafo sem alvo, a segunda, enquanto fingimento, gera uma acção que pretende prejudicar, ou seja, tem um alvo. Mesmo numa perspectiva defensiva, a dissimulação irá afectar alguém que nunca saberá se está perante uma verdadeira provocação ou apenas perante um acto de cobardia.
Ambas são erros de carácter, mas só a segunda pode ser punível com uma bofetada. A primeira é apenas uma infantilidade.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

That's why the lady is a tramp!


Se havia já alguma dúvida, hoje dissipou-se. A Banca é mesmo uma mulher. Sempre que está deprimida vai às compras.
Assim, pouco antes do Banif comprar o Banco Mais, já o Grupo Orey tinha comprado o Banco Menos.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Um sonho - San Fermin

Já que aqui não se fala de política

Vítor Bento escreveu um livro notável sobre o miserável estado da economia portuguesa? "Quer dar nas vistas". A SEDES faz um inquérito ao estado da democracia? "Campos e Cunha destila ressabiamento". Nuno Crato questiona a dificuldade dos exames de Matemática? "Mas o que é que este quererá?...". António Carrapatoso sai da presidência executiva da Vodafone disponível para se envolver em causas cívicas? "Está a pôr-se em bicos dos pés". O Compromisso Portugal vai realizar uma última avaliação a este Governo? "Querem é poleiro". 28 economistas estão contra as obras públicas? "Estão feitos com o PSD". Outras 51 personalidades estão a favor delas? "É gente do PS". Mais 31 estão contra? "É só laranjinhas".

frases que ficam

"A maquilhagem equivale a 6 cervejas"

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Da falta de coragem política (actualizado)


Não se trata de arranjar culpados mas sim soluções. Um plano para a redução da emissão de gases até 2050 é urgente. Mas a queda da proposta de redução de 50% mostra a falta de coragem política e não compreensão do princípio da sustentabilidade. Um erro que pagaremos todos. E por este andar mais cedo do que o esperado.

Actualização: Os boatos eram manifestamente exagerados e o acordo foi outro. 80% até 2050 para os países desenvolvidos e 50% para os emergentes. É um passo muitíssimo importante, apesar de tardio. Ainda assim, e perdoem-me a intransigência, 2050 é muito tempo. Pode fazer-se bem melhor.

breves notas

durante dois dias as televisões ficam doidas com uma coroação e com um funeral e as notícias são relegadas para 3º ou 4º plano. nas notícias a culpa dos exames ou é do governo ou é da comunicação social. a gripe aumenta. os insultos também. os relatórios são um espelho do regime e o regime não gosta. a polícia é baleada. os costumes jogados na sarjeta. o computador pergunta se quero reiniciar. não será melhor desligar de vez?

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Adiante...

Um dos motivos que tenho para não falar de política é esta tentativa desesperada da esquerda de falar do passado. Sempre que falei de política, aqui, falei do presente e do futuro. Nunca me viram ir buscar governações antigas para justificar a situação actual.
Se eu falasse de política neste blog o que eu faria hoje era um post sobre o quanto me fartei de falar na política macro-económica deste governo e o afastamento das PME's. Mas o que sei eu? Talvez lendo o que escreve Camilo Lourenço, hoje, no Jornal de Negócios se perceba o que andei a dizer. A política do governo Sócrates não é nem consistente, nem duradoura. A economia é apenas um exemplo. Mas, prometi que não falava mais de política. Foi só um cheirinho para me despedir de Manuel Pinho, um ministro miserável e um espantalho político.

E o meu outro heroi é o Luis Filipe Vieira...

Juan Medina


Adenda: Como é óbvio não fui eu que fiz este post de merda. O rapaz acha que por ter pirateado o blog vai fazer estragos. Deixem-no estar. As pessoas hão-de pensar "mais um atrasado mental que só fala de bola".

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Marégrafo (18)

Da manhã
O perfume suspenso
No brilho dos frutos molhados de luz
Disco solar anterior a qualquer início
E um pequeno deus sem nome
Erguendo-se nas ondas

José Pedro Leite

Domingo, 5 de Julho de 2009

A teoria das cedências


Sobre o post da inevitabilidade do domínio podem ainda ser ditas muitas coisas. É evidente que não é um post fechado. As mulheres também exercem o domínio sobre os homens e também os manipulam. A questão não está em quem domina, mas sim em quem se sujeita. Uma sociedade extremamente masculinizada como a nossa é propícia a que seja a mulher a sujeitar-se. A ordem pode inverter-se, mas a relação de domínio existirá sempre.
Há uns anos desenvolvi uma teoria, totalmente empírica, claro, sobre o que conduz à distribuição de funções na relação de domínio. O curioso é que na primeira relação que observei o homem era quem se encontrava em estado de sujeição. A essa teoria chamei "Teoria das Cedências". 
No universo de pessoas que estava ao meu alcance comecei a pensar sobre as suas relações. Um universo reduzido, mas ainda assim uma amostra. E nessa amostra o mais visível eram as cedências. É claro que a idade é um elemento essencial para se detectar isto e principalmente no início das relações. Quanto mais novos mais fácil é perceber os seus anseios.
Percebi, então, que havia dois tipos de cedência a que chamei cedência material e cedência emocional e/ou psicológica. A cedência material tem como objecto bens físicos e disponíveis, produtos. O maior exemplo que encontrei, para além da oferta de prendas que é muito relativa, é a alteração de número de telefone. Por exemplo, o sr. A começa um relacionamento com a sra. B e os dois usam operadores de rede móvel diferentes. Nesse caso, um deles irá mudar de operador. Eis uma cedência material que pode parecer um gesto insignificante. Mas não é.
A cedência emocional e/ou psicológica tem como objecto a disponibilidade emocional. Chamo-lhe também psicológica devido à manipulação. No fundo, há um controlo da vida do outro que se deixa condicionar. Um bom exemplo disso é a desculpabilização do egoísmo.
A cedência material ataca mais os homens porque os fere na vaidade. Ele é que cedeu e toda a gente sabe. No exemplo dado, então, é evidente: mudou de número. A partir do momento em que a cedência se torna pública ele admite já um estado de sujeição.
A cedência emocional, por uma questão de fragilidade, é mais notória na mulher, tendencialmente habituada a sofrer, um sofrimento quase tradicional. Neste caso há uma sujeição a caprichos e feitios como salvaguarda da relação e o consequente aproveitamento do elemento denominador.
Acredito que a tendência seja esta, mas que não passe de uma tendência facilmente alterada conforme o tipo de relação e as qualidades dos sujeitos. Acredito também que há formas de equilíbrio para as quais não tenho a receita, mas que farão muito mais sentido do que este modo odioso das pessoas se relacionarem.

um vídeo ao domingo

Sábado, 4 de Julho de 2009

A inevitabilidade do domínio


Se há coisa em que o mundo mudou foi nos costumes. Se num determinado tempo a agressividade conjugal era encarada como uma rotina e um assunto que a mais ninguém dizia respeito, hoje ela é encarada como um crime que fere um interesse público. Mas, se os costumes mudaram, será que com os sentimentos e as cumplicidades que levaram ao relacionamento dos homens aconteceu o mesmo? Talvez não. Tennessee Williams percebeu isso em 1947 quando escreveu "A Streetcar named Desire", assim como Elia Kazan quando levou a mesma obra para o cinema em 1951. A relação entre as pessoas, e principalmente a tradicional relação homem/mulher - a mais comum e visível até hoje -, gera uma narrativa de domínio, como na natureza da relação macho/fêmea. É inevitável. Mesmo nas sociedades mais liberais nenhum movimento ou luta por direitos pode explicar o que leva alguém a preferir uma pessoa que a trata mal e por quem se deixa dominar, alguém a quem se submete mesmo que isso lhe provoque um sofrimento atroz. Alguns movimentos feministas nunca o compreenderam. Chamam-lhe medo, quando não lhe chamam estupidez ou falta de informação. A força física, a manipulação, a submissão e a condescendência não são figuras da mentalidade mas sim de um processo instintivo ou até animalesco. Williams e Kazan sabiam isso. É inevitável.

the forth of july

Onde eu gostaria de estar

"Com o Colete Encarnado
Jaqueta e meia branca.
Campinos, toiros e fado,
Esperas de gado
Eis Vila Franca!"

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Sobre Manuel Pinho

escrevi aqui em Janeiro de 2008.

Esta notícia é demasiado boa para ser verdade

Members of Led Zeppelin, Foo Fighters and Queens of the Stone Age are working together on a new project, it has been revealed. And not minor, touring-only side men – three of the biggest names in rock music, banding together and making a racket.

Adiamento do 3 de Julho

Estava programado para hoje um post sobre Mark Sandman visto passarem 10 anos sobre a sua morte. Infelizmente a falta de tempo é muita e terei de o deixar para mais logo ou até mesmo amanhã.
Fica aqui assinalado, de qualquer forma, com parte daquilo que poderia estar descrito:



Até mais logo.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

O estado da Nação

Foto: Nuno Ferreira Santos (Público)

Esta imagem andará certamente por aí nos próximos dias e, muito provavelmente, até às eleições. Mas, nenhum post, nenhuma notícia ou qualquer outra imagem deste debate transmitirá aquilo que aconteceu. Algo nunca visto: insultos, fanfarronice, histeria. É este o estado da Nação reflectido na classe política miserável que gesticula contra os adversários num espectáculo degradante.  
Morra o regime, morra!

Adenda: José Lello no twitter: "Rangel desboca-se.Ainda lhe acirramos o Pinho!"

Tramp


A vaidade. É ela que corrompe o princípio, o plano inicial. Um bom exemplo disso é este espaço, a blogosfera. Aquilo que deveria ser um espaço livre, longe da futilidade da ribalta, tornou-se num corredor. A importância de escrever e opinar transformou-se em necessidade de aparecer. E ao mesmo tempo quem já estava na ribalta começou a tentar entrar aqui, no mundo alternativo, porque "isto é que é o futuro". No fundo, começa a ser bem ter uma página no facebook e andar por aí a fazer de conta numa espécie de primus inter pares das novas tecnologias para depois voltar à televisão para mostrar como "estamos na internet".
Entretanto, cruzam-se todos nos corredores e há uma enorme confusão. Quem é quem? As vaidades confundem-se e tocam-se e misturam-se. No fim, os conteúdos são cada vez menos e os espelhos cada vez mais importantes. Então, eles saltitam.

Comunicado à população

Este blog foi tomado...

O timoneiro anda doido e com demasiados pruridos. A partir de hoje, política não faltará. Com ou sem consentimento... Estou aqui para destabilizar e pôr-lhe os cabelos em franja (não vale a pena procurar o IP). Viva o PCTP...

Estamos atentos

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

sobre bausch

não é aquilo que a arte nos transmite que é importante, mas sim aquilo que aprendemos com ela. as sensações retiradas por diferentes pessoas do mesmo trabalho artístico poderão ser as mesmas. as conclusões que cada um de nós retira é que serão sempre diferentes. com bausch desejo ser livre, longe dos automatismos do corpo e do sofrimento quotidiano da alma. o fim disso é a liberdade. pelo menos para mim.

Teoria das Cores

Tenho a honra de figurar mais uma vez nas escolhas deste novo projecto internético do meu amigo Gonçalo. Dêem uma vista de olhos à sua Teoria das Cores.

3 de Julho








Um regresso

Parece que os Alice in Chains estão de volta. Para já a sonoridade é a mais familiar possível, a linguagem é praticamente a mesma e o registo é o do metal inicial que depois acabou por ir desaparecendo pelo meio dos 90's. Ainda não consegui perceber se há um vocalista novo ou se é Jerry Cantrell a assumir a voz do grupo. Se for, julgo que se desvirtua menos que o habitual.
A ouvir aqui. Uma dica do Nuno Gouveia - um homem do grunge!

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

não há tempo



Hoje é um dia verdadeiramente triste. O filho da puta levou uma das mulheres mais belas que o mundo conheceu. Pina Bausch não é apenas uma referência nas artes de palco, ela é também o belo em si e por si. Ela é a vontade de ser livre.
Com ela aprendi a olhar para o palco com outros olhos, com os olhos que sentem todo o movimento e que viajam livremente. Era isso que eu sentia com o que ela me dava: vontade de ser livre!
Hoje, todos os corpos deveriam chorar. Viva Pina Bausch!

tempo dos assassinos


Adormecidos ou até mesmo camuflados, os sentimentos mais viscerais das pessoas têm alturas específicas para rebentar. Por exemplo, no futebol, na pré-época, somos todos sensatos e engraçados. Lá para Janeiro não há insulto que já não tenhamos proferido a um qualquer amigo. Na política, a época eleitoral desperta nas pessoas mais serenas os impulsos mais improváveis. Chega mesmo a ser paradoxal.
É como a segurança privada que tenta dar uma ideia de subtileza e discrição. Quando a confusão se instala saem dos seus postos em tamanha agitação que é impossível não dar por eles. Mas mesmo no seu posto discreto habitual há coisas que estão lá e nós sentimos e vemos.
O rancor, por exemplo, é como um auricular. Só os mais distraídos é que não reparam.

Direito Comparado

Madoff apanhou 150 anos. O homem ainda confessou porque senão apanhava 200 e era bem pior. Pelas minhas contas, e seguindo os ensinamentos subsidiários de Raúl Guichard, Oliveira Costa apanhará uns 3 anos de pena suspensa. Estamos noutro nível de democracia!

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

O beijo

Hoje, não sei porquê, o vento teve um grande gesto de renúncia, e as árvores aceitaram a imobilidade.
No entanto (e é bem que assim seja) uma viola organiza obstinadamente o espaço da solidão.
Ficamos sabendo que as flores se alimentam na fértil humidade.
É essa a verdade da saliva.

José Saramago

Domingo, 28 de Junho de 2009

O chavão da popularidade


Vi este filme dezenas de vezes e apesar de o achar um filme espantoso continuo sem compreender o fascínio pelo transvestismo. Quando eu era puto achava a imagem repugnante. Não no sentido sexual, que acho que não conseguia compreender, mas no sentido da falta de gosto e da brejeirice revisteira. "Dietrisches que não foram nem Marlenes", como cantava o Godinho, e que se besuntavam de pintura e lantejoulas, dançando e fazendo playback para animar os machões rebarbados.
Com o tempo as coisas mudaram. As casas de travestis foram desaparecendo assim como os seus espectáculos para massas com a Belle Dominique e companhia limitada. A cultura underground cedeu a outros gostos. Começaram a aparecer mais bares gay mas com outro formato. Formou-se assim o circuito gay nas cidades sem tantas lantejoulas e sexualmente mais afirmativos.
Tal como a revista, os espectáculos de travestis tiveram o seu tempo e são recordados agora esporadicamente por figuras como Carlos Castro e outras criaturas de um passado alternativo.
Por estes dias assisti ao anúncio de um Arraial Gay. A princípio achei que se tratasse do conceito kitsch e que fosse um evento bem urbano como mandam as regras sociais. Mas depois apercebi-me que no cartaz constavam uns travestis. Fiquei a pensar naquilo. Por que razão os eventos gay continuam a ter uns rasgos de transvestismo, de playbacks manhosos, de lantejoulas encardidas e baças? O estereótipo do gay urbano hoje nada tem que ver com isso. Aliás, a sua imagem é a melhor, de um indivíduo sofisticado e de bom gosto. É certo que não passa de um estereótipo, mas a verdade é que assistimos hoje a uma variante de negócios virados para a comunidade homossexual que vai nesse sentido.
Será isto o kitsch homossexual? Não seria de estranhar que, num mundo de aparência e futilidade onde alguns esforços têm de ser feitos para aparecer, isso acontecesse. Por exemplo, hoje no jet 7 português parece que a música pimba está na moda. Depois da paixão assolapada de Cinha Jardim por Marco Paulo e de José Carlos Malato e amigos por Tony Carreira, o jet 7 televisivo está empenhado em brincar ao povo no Verão. Pois a única resposta que encontro é essa, a de um kitsch absurdo e elitista que distorce a essência do espectáculo para abusar da sua natureza e que, no fundo, serve mais os amigos em redor que aparecem para a festa do que os próprios. Priscilla não iria gostar.

um vídeo ao domingo

Record Club: Velvet Underground & Nico 'Sunday Morning' from Beck Hansen on Vimeo.



aqui

Sábado, 27 de Junho de 2009

Olha, já que não temos nada para fazer nos próximos 10 anos vamos ensaiar uma coreografia! Tu fazes de gaja!



inmates of the Cebu Provincial Detention and Rehabilitation Center, Cebu, Philippines

Um escândalo centralista

Aqueles que passam por cá, ou que têm o imenso prazer de me conhecer ao vivo e a cores, sabem que sou completamente contra o discurso anti-capital que já faz parte de uma certa linguagem e mentalidade do Porto.
Não obstante essa situação parece-me que isto é um escândalo grotesco e que alguma coisa tem de ser feita para impedir este roubo. Já nem falo do facto mediático de estarmos em período eleitoral, mas sim de uma injustiça e de uma centralização absurda da aplicação de fundos. Trata-se de uma aplicação de fundos indevida e que vai apenas patrocinar o desfasamento de desenvolvimento e requalificação entre Lisboa e o resto do país.

Um pequeno post sobre política

Em Portugal as pessoas habituaram-se a um esquema político. O âmbito dos partidos foi sempre afastado dos extremos e por isso hoje, com alguma dificuldade, encontramos partidos convictamente de direita e partidos de áreas mais radicais à esquerda como noutros países europeus. Os portugueses habituaram-se a uma política de centrismo e a sua falta de maturidade democrática desde a revolução impede-os de aceitar posições divergentes das suas no domínio da filosofia política. Daí decorre a estereotipação da "direita" vista sempre como um monstro que nos levaria a uma ditadura passada. Apontar um partido de fazer políticas de direita é meio caminho andado para o sucesso entre as massas. Aqui reside a maior fonte de populismo no discurso político em Portugal.
Outra questão muito relevante na falta de sentido político que existe em Portugal é a da definição do político. Vivemos num país onde ser um político de carreira é negativo. E não falo no carreirismo daqueles que sempre viveram dentro do aparelho partidário com pouca mostra de trabalho dada, mas numa carreira consistente, com trabalho realizado. Daqui se depreende que é impossível aceitar-se o facto de alguém desejar fazer política e de gostar do poder político (uma virtude como explicou Vasco Pulido Valente). Esse alguém seria sempre visto como um oportunista e não como quem tem um objectivo: trabalhar na causa pública. Será mais fácil acreditar no independente que vai para um ministério e depois segue para uma empresa privada do que num homem que de Primeiro-ministro pode descer mesmo até presidente de uma câmara municipal. Isto porque se acredita que é uma descida e não um serviço.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Centenário

Sento-me a um canto e enquanto espero abro as páginas de "A vida breve". Noutro ponto da esplanada, um actor famoso da praça cumprimenta o veteranorum e com ele se senta relembrando outros tempos, na companhia de um fino. Dois tipos bem mais novos olham-nos com a admiração da "História", ouvem com atenção e os olhos brilham como quem pensa "naquele tempo é que devia ser". Num tempo que não foi o deles mas que só por ouvirem já se julgam parte integrante. De resto, pouco vivem o seu próprio tempo. Mais ao lado, uma rapariga tenta passar por mulher com um livro entre as mãos sem sequer olhar para ele. Olha em volta disfarçadamente a ver se está a ser observada. E está. Olho para ela, mas rapidamente desvio o olhar para um recém-licenciado que está maravilhado com o seu mais recente trabalho. Ele é agora um orgulho. Um orgulho daqueles que passam a ser uma placa na parede. "Turma de 2002/2003, FEUP, agradece ao Café Piolho por tantos bons momentos que poderiam ter passado lá, mas realidades à parte, muito obrigado!"
Não sei ao certo quantos passaram por ali. Uns morreram, outros casaram, outros emigraram, outros tantos voltaram para casa. Lembro-me quando esperava ao Domingo no início da noite. Esperava que eles voltassem de casa ainda com as malas. Enquanto isso olhava as placas na parede. Daquelas placas vinha a certeza de que aquilo chegou mesmo a ser um café de estudantes. Naquele tempo ainda não se estranhavam as capas negras e as pastas. Já se viam poucas mocas, mas o fauna era ainda a que estava representada nas placas. Os finos saíam sempre elegantes e frescos. Pelas mesas um empregado fazia um "negócio alternativo" naquela que era a primavera da geração das ganzas. O século acabava e nós mal tínhamos começado. Quantas vezes não lamentámos aquele nosso tempo com falta de gente que se sentasse ali? Quantas vezes não lamentamos agora este tempo onde o excesso de gente que ali se senta desvaloriza a poesia plagiada do Durval, as placas nas paredes, as capas negras? E quantas vezes não lamentamos o preço impraticável do fino num café que até nisso era, mas já pouco é, o café dos estudantes?
A meio do fino ele chega e começamos a conversar. Conversamos como sempre sobre qualquer coisa. O dia-a-dia é daquilo que falamos antes de nos alongarmos pela História e pela Filosofia quando não pelas entranhas da música e da poesia.
Pouco interessam as memórias num lugar que continua a existir para que elas sejam criadas. O seu tempo é agora.

Habemos Provedor!

É uma escolha do PS e do PSD, o que conduzirá certamente à sua eleição sem grandes dificuldades. Alfredo José de Sousa é, em princípio, o novo Provedor de Justiça. Do pouco que conheço sei que fez um bom trabalho, muito reconhecido de resto, no Tribunal de Contas enquanto seu presidente. Foi também Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo. É um homem que está muito ligado à parte administrativo-fiscal do direito mas que manteve sempre um interesse muito bem definido pela defesa da causa pública. Julgo que qualquer um dos dois candidatos anteriores - Maria da Glória Garcia e Jorge Miranda - teria mais condições para tomar conta do cargo devido não só ao vasto conhecimento que dele têm como também do vasto domínio do direito, no sentido de um âmbito muito mais alargado. 
Este foi um homem que saiu do Tribunal de Contas fazendo bastantes críticas ao Ministério Público no que toca à falta de dedução de acusação aos seus mais prestigiados clientes: presidentes de câmara, directores gerais ou de institutos públicos, etc.
Em todo o caso, não me parece uma má escolha, apesar de continuar a acreditar que Álvaro Laborinho Lúcio seria uma opção muito mais valiosa para este cargo de extrema relevância.

a preto e branco


não há tempo. não há tempo para nada. pensa-se em mudar, em fazer outra vida, em acordar diferente, em transvestir-se. pensa-se que se pode mudar. mas não há tempo. fica na breve linha da história uma tentativa de se tentar ser, sendo-se já mais do que tudo o resto. no chão fica a ligeira sensação de que alguém por ali caminhou como se caminha na lua, com a leveza de um ritmo agressivo. sobra também o soul de outros dias e a exploração de uma pobre criança cheia de vida, carregada de infelicidade. assim foi a vida do mais brilhante artista pop que o mundo conheceu - uma tentativa quando já se era muito mais do que aquilo que se quis parecer ser. talvez volte com os mortos para avisar: you're fighting for your life inside a killer... thriller... tonight!

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Isto não é um blog de política


A campanha, quer se queira, quer não, já começou. Este blog não apoia nenhum partido em particular nem quer dar a ideia de um blog politicamente comprometido. A discussão vai certamente aquecer e para evitar ataques pessoais e insinuações para as quais não tenho a mínima paciência vou evitar falar de política nos próximos tempos. Não poderei permitir que a minha forma livre de pensar seja posta em causa simplesmente porque assumo uma simpatia pelo PSD e principalmente por Manuela Ferreira Leite. Sempre que me confrontam com essa situação parto para o insulto porque nada mais me irrita do que a estupidez do pensamento único. É claro que dificilmente evitarei comentários a situações mediáticas ou até mesmo a posições políticas que me digam directamente respeito. Tentarei, apenas, que sejam coisas esporádicas. É pena.

Ouvido agora no Opinião Pública

"só tenho pena é que a senhora não seja mais nova porque me parece que já é um bocado idónea demais para ir para o governo"

"Como eu o entendo!"

Ontem não foi um bom dia para José Sócrates. Apesar dos efeitos só se repercutirem daqui a algum tempo, ontem o Primeiro-ministro suou de manhã à noite e não deve ter dormido nada bem.
Se uma fundação de natureza questionável e um negócio duvidoso da PT sobre a MediaCapital já eram suficientes para desinquietar Sócrates, então a entrevista de Manuela Ferreira Leite (MFL) foi um balde para a governação sul-americana do nosso chefe de governo.
A presidente do PSD não foi revelar o segredo da salvação e da resolução da crise internacional como pretendia o inenarrável Alberto Martins no debate quinzenal. Manuela Ferreira Leite foi apenas explicar qual é o problema das grandes obras - o endividamento. E insistiu neste ponto para que todos possam compreender que ao endividarmo-nos por cima de um já volumoso endividamento que vem de trás estamos a afundar as nossas possibilidades a médio ou até mesmo a curto prazo. Isto vem desmistificar a ideia de que o investimento público são apenas as grandes obras e que só estas nos podem salvar - uma ideia que começa a cativar aqueles que não compreendem a gravidade do endividamento e das suas consequências directas no crédito.
Outra coisa que MFL desmistificou foi a acusação constante de que o PSD é contra o investimento público. Esta acusação parte de uma intenção dos socialistas tentarem confundir as pessoas tomando-as por estúpidas e dizendo-lhes que investimento público significa apenas grandes obras públicas (obras de regime, portanto).
Já durante o dia, na Assembleia da República, o Primeiro-ministro tentou fazer da oposição o mau da fita quando confrontado com a questão do arquitecto Carlos Guerra e do negócio da MediaCapital. Sócrates num caso e no outro tentou conduzir a questão para o seu lado pessoal: o caso Freeport e a TVi, quando são questões politicamente relevantes, e muito relevantes.
Esta estratégia de tentar deitar o lixo para o quintal do vizinho é uma estratégia feia e que admito que possa resultar. Mas é indicadora do desespero sentido no Rato por estes dias. Tentam mudar a imagem do Primeiro-ministro, tentam acusar a oposição de ser contra o seu progresso maravilhoso, tentam fazer com que a oposição passe por um monstro de ataques pessoais. Será caso para exclamar tal como faz o Primeiro-ministro no Parlamento "Como eu os entendo! Como eu os entendo"!

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Um incompetente na noite de S. João



E os técnicos habituais na hora de encher um balão. Só dá engenheiros.


E um blog que à quantidade de possibilidades que o rodeiam poderia ser um baby blog fofinho:



Uma mulher às direitas

Eu, como todos, posso dizer que gosto muito de uma pessoa que não me interessa, ser simpática para alguém de quem não gosto, calar-me quando tenho algo a dizer que me possa prejudicar, ser politicamente correcta para que isso me beneficie de alguma forma, mentir para subir na carreira, ser insistente para obter um resultado que me interessa, desligar-me de alguém que gosto porque a minha associação com ela não é vantajosa. 
Eu posso roubar, mentir, matar, atropelar, bater, trair, prostituir-me, desde que não seja apanhada a fazê-lo.
Eu posso e em teoria poderíamos todos. A teoria do "melhores pessoas/piores pessoas" perde muito do seu valor intrínseco quando chegamos a adultos. Por isso, a menos que acreditemos num Deus castigador ou num Karma Cósmico, a única razão pela qual não fazemos é termos sido educados para a vida em sociedade. E isso, meus caros, nem todos fomos.


Sobre o TGV

Segunda vez esta semana a linkar um liberal (mas deste eu gosto, confesso). Pode-se tornar perigoso. Mas o João Miranda não falha nestas coisas.
Esta conversa do estratégico e do estruturante com que o governo tenta enrolar a falta de justificação para os seus projectos é inócua. Faz lembrar um pouco aquela história dos jovens e empreendedores que nos anos 90 foram a base dos discursos dos nossos políticos.
Eu confesso que ainda não compreendi qual a importância ou, em última análise, a urgência do TGV. Mas dando de barato que é importante e tal, parece-me que há questões estruturantes mais relevantes para resolver e que essas sim representam um claro sinal de modernização.
A mensagem de modernização que o governo tenta passar é uma mensagem vazia, sem explicação ou arguição plausível, como tão bem ironiza o João. Talvez fosse importante lembrar a corrida de cavalos em "Os Maias". Não é a copiar uma estrutura que nos aproximamos mais da Europa mas sim consolidando as nossas prioridades com as nossas capacidades, possibilidades e até mesmo modos de vida.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

wannabe's

O que mais gostei sobre a estranha entrevista de Menezes ao i foram aqueles que gostavam de ser Pacheco Pereira a tentar criticá-lo. Esta onda que por aí anda anti-Pacheco é muito reveladora do mau-estar que vai nalgumas cadeiras. 
José Pacheco Pereira é um homem frontal e isso custa muito. E os meninos lutam contra o status quo para atingir o status quo. É tudo tão óbvio!

Coisas que o Porto não pode esquecer


Não deixa de ser engraçado que até a esta hora tenha sido apenas a SIC a noticiar esta situação. Parece que o caso não é importante. Parece que uma notícia de um autarca que beneficia um munícipe, que já de si é privilegiado,  e que por tal é condenado, não é importante para o país.
Há duas coisas que me ocorrem dizer sobre Nuno Cardoso. Continuou aquilo que Fernando Gomes tinha começado com a diferença de que não o sabia fazer tão bem, como se pode concluir. Além disso endividou a cidade do Porto porque se preocupou mais com o que não devia, como se pode concluir.
E então? Com que cargo público irá premiar o Estado este senhor?

Adenda: Parece que a notícia não é de hoje. Ontem não tinha visto nada. De qualquer forma não se compreende como ninguém falou no assunto por aqui.

Corre um rio para o mar


Sonhava fazer uma cascata que fosse toda a cidade; das pequenas ilhas miseráveis um símbolo verdadeiro e genuíno; dos prédios novos e dos perfumes falsos um alvo preferencial dos vendavais. Corre um rio para o mar numa cidade que não se respeita, que finge que se ama mas que falha em todas as ruas, que se percorre numa única noite como se isso bastasse, deixando a beira rio deserta durante o resto do ano como um brinquedo velho abandonado.
É uma cidade que se orgulha do património granítico mas que se veste de néons como se se transvestisse. É uma cidade que se orgulha da pronúncia, mas onde os seus jovens burgueses sodomizam a linguagem como se tivessem um alho porro espetado na boca, na tentativa de parecerem sofisticados. É uma cidade onde o provincianismo ultrapassa o bairrismo e se olha a sul com o sentimento de uma pequenez nada nobre ou leal.
No entanto, é uma cidade onde o povo triste desce a avenida com o orgulho e a vaidade que nenhuma humildadezinha conseguiria. Enche o peito e dança sobre si próprio, o povo da nossa cidade!
Um dia mato-a só para que seja, por momentos, feliz!



Foto daqui.

Há um ano foi assim. E este ano, como será?

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Ainda pelos blogs da Sábado

Encontro este post muito pertinente do Vasco Barreto. Não só é trivial a declaração sobre o pouco investimento na cultura como também é perigoso perceber que para os líderes políticos a ciência e a cultura são, elas próprias, trivialidades.

As perguntas do João Miranda

Seria uma série interessante depois das escolhas do Marcelo, mas adiante.
O João Miranda faz 13 perguntas cuja falta de resposta tem duas explicações. A primeira é uma das maiores críticas que podemos apontar à comunicação social: a falta de follow up de certas matérias dado que o interesse se perde. A segunda é que o próprio governo aproveita essa falta de follow up dos media para se esconder e lançar as suas medidas novas (que até agora têm sido adiamentos estratégicos).
Há muita gente a aproveitar-se da memória curta dos portugueses.

Pequenos ditadores

Hoje não é fácil uma pessoa pensar pela própria cabeça e concordar com alguma coisa. Parece ser um crime. Para ser verdadeiramente independente em Portugal tem de se ser do contra. Senão somos logo conotados com o partido x ou y. Para além disso, chegámos àquela altura em que aparecem uma série de baratas tontas com a conversa do "ai é? então apresentem vocês propostas". Talvez fosse importante compreender que quem aponta defeitos a um produto não é necessariamente quem lhe arranja a solução.
O João Galamba não compreende isso. Mas é fácil perceber por que é que não compreende. Para o João Galamba um manifesto apresentado por umas dezenas de economistas é criticável por ser uma posição política. Pois claro que é uma posição política. Havia de ser o quê? É uma posição de um grupo de pessoas de um sector importante que se manifesta contra uma determinada política por ela não ser conveniente para o país. Logo, o que sair dessa posição tem contornos políticos. O que não significa que tenha de ter contornos partidários, ao contrário daquilo que o João Galamba dá a entender.
No entanto, se o João Galamba disser que aquilo é um ataque ao Primeiro-ministro eu garanto quase de certeza que sim, que é isso mesmo. Ainda por cima é legítimo visto ser um grupo de pessoas com relevância no sector que não concorda com o Primeiro-ministro. Tinham-me dito quando eu nasci que era assim nas democracias. Se calhar fui mal informado.
Deixem-me só avivar a memória dos mais esquecidos. Quando o Primeiro-ministro era Santana Lopes, naquele micro período de tempo de governação, houve também um grupo de empresários que se insurgiu contra Santana. Esse foi, aliás, um dos motivos que levou o Presidente Sampaio a dissolver a Assembleia da República. Não me lembro de alguém apresentar soluções nem de haver muita gente incomodada com isso.
Por fim, não deixa de ser curioso que o próprio João Galamba critique um documento por ele não apresentar nada que o justifique e fazer precisamente o mesmo no seu post.
Está na altura de se começar a compreender a diferença entre uma posição partidária e uma posição política. Sem posições políticas as sociedades não funcionam.

Manuscrito achado num livro de Joseph Conrad

Nas terras que estremecem com o ardor estival,
O dia é invisível, puro e branco. O dia
É uma estria pungente numa gelosia,
Uma febre no plaino, um fulgor litoral.

Porém, a antiga noite é funda como um jarro
De água côncava, aberta a infinitos sinais,
E em canoas, perante as estrelas fatais,
O homem mede o vago tempo com um cigarro.

Com o fumo desvanecem-se as constelações
Remotas. O imediato perde história e nome.
O mundo é umas quantas vãs imprecisões.
O rio, primeiro rio. O homem, primeiro homem.

Jorge Luis Borges

Domingo, 21 de Junho de 2009

Parabéns ShyzaDondoca

um vídeo ao domingo

subúrbio sob pressão

vem um vento sueste encerrar a noite. um vento do diabo que enrola a cinza em tornado. estranho e perigoso este vento. a rua vazia e turbulenta. azáfama natural e não provocada. e enquanto toda a cidade dorme, a calma é apenas aparência. há um vento assim em toda a vida. um vento agreste. no meio de tantas criaturas apenas dois ou três abraços. em toda a vida.

Sábado, 20 de Junho de 2009

california

Odiar José Sócrates

Estou farto de Sócrates. Estou farto da cara de Sócrates a seguir-me em todos os blogs e meios de comunicação. O lobo feito cordeiro. O homem que agora é humilde. Estou farto, cansado de José Sócrates, a figura mais feia que apareceu na política portuguesa; a figura mais irritante e mais falsa; um político que vive 90% da imagem e 10% de uma falsa determinação; um marketeiro sem valor político, sem passado e sem cultura. Odeio José Sócrates a todos os níveis. Mas não se iludam. O ódio tem causas políticas, só depois se tornou pessoal.

O ministro dos fogos

"Ministro da Administração Interna garantiu, ontem, em Castanheira de Pêra, que "na fase de maior risco" há "meios adequados e necessários para fazer frente ao risco de incêndio". Ao DN, Rui Pereira disse que "tudo está a ser feito" para evitar descoordenação no terreno".


Já aqui disse e volto a repetir: o ministro da Administração Interna teve um Verão descansadinho no ano passado. Este ano esperemos que as coisas não lhe corram mal. Rui Pereira teve tempo e mais tempo para precaver futuros desastres. A salvaguarda da área florestal é um trabalho que deve ser seguido pelo ministério e que, como se pode ler no artigo, não parece ter sido assim tão bem feito. Não são só os meios que contam no combate, mas também a preservação e conservação dos espaços florestais. Estaremos atentos, senhor ministro.