quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Isto hoje vai ser bonito, vai

Eu não tenho idade para ser vosso paizinho. Não tenho de vos explicar tudo nem andar a ajudar-vos a elaborar listas de músicas, porque esta merda dá um trabalho do caraças e ninguém me paga para eu ouvir a quantidade abusiva de música e saber a quantidade estúpida de coisas que sei.
E para não me adiantar mais, que já estou com dores de cabeça só de pensar na quantidade de gente insensível e dura de ouvido que anda para aí já me começo a passar. Eu 'tou-me a passar, pá!
Vá! Tomem lá a lista que fiz à pressa no Cachimbo. Esta é de borla.

1º comentário, de improviso, e mesmo assim melhor que qualquer um de vós bem treinados:
"Em primeiro lugar é preciso ir aos clássicos. Comecemos então pelos crooners. Sinatra, Nat King, Bing Crosby, Dean Martin. Destes torna-se evidente que Sinatra nos homens e Fitzgerald nas mulheres dão 10 a zero. Por ter uma voz mais sofredora escolho Sinatra, e depois é escolher num conjunto de 80 canções de amor. Aqui escolho Let's fall in love, Night and Day, Last Dance.
Mais tarde tem o Elvis. Claro que aqui a escolha é mais fácil porque será evidentemente entre o Love me tender e o Always on my mind, ganhando por uma questão de qualidade o Love me tender.
Depois tem os Beatles. Mais umas dezenas de canções de amor, onde se destacam "Something" de George Harrison e as da dupla imbativel. Dessas escolho Dont's let me down.
Da mesma época irá encontrar preciosidades como "Angie" dos Stones, "Ain't no sunshine when she's gone" de Bill Withers, "Let's get it on" Marvin Gaye, "Let's get together" Al Green. Isto para não falar do mestre Dylan e do Lay, Lady, Lay, ou Just like a woman.
Há quem defenda que o I'm your man do Leonard Cohen é a melhor música de amor de sempre, por ser sincera e representar bem o dualismo homem/mulher.
No final do século passado os Morphine ainda afirmaram que era possível escrever sobre o amor de uma forma sublime quando criaram o The Night.
Mesmo em Portugal há canções de amor absolutamente transcendentes como "O meu amor existe" do Palma, o Barco Negro da Amália, Monsão da Sétima Legião, a Canção do Engate do Variações, o Problema de Expressão dos Clã ou qualquer canção de amor dos Ornatos Violeta - sendo que pessoalmente escolheria o "Mata-me outra vez".
Mas para mim, a melhor canção de amor de todos os tempos é "Into my arms" do Nick Cave."

2º Comentário, já com uma noite de sono em cima e depois de ter ouvido a Carmen:
"Bem, eu dei a resposta um bocado à pressa por isso não fui à discografia ver com atenção e é claro que me escaparam centenas de canções de amor. É normal.
Agora, o Love me tender é indiscutivelmente uma das mais belas canções de amor de sempre. Por mais que não se goste do Elvis, o que eu acho uma falta de respeito pelas instituições, tem de se admitir que este tema é de uma beleza impar.

Acrescento alguns títulos que por puro lapso não disse na altura e lembrar-me-ei certamente de outros, entretanto.
Elis Regina - Pois é
Chico Buarque - Valsinha
The Velvet Underground - who loves the sun?
Jeff Buckley - Lover you shouldn't come over
Portishead - sour times
Depeche Mode - Enjoy the silence
The The - Love is stronger than death
dEUS - nothing really ends

e já que o tema é este:
The Divine Comedy - songs of love ou the perfect love song

Imperdoável o esquecimento de Ibrahim Ferrer com Dos Gardenias."

E acrescento ainda o 2º andar dto. do Sérgio Godinho, o Little Wing do Jimi Hendrix e Nina Simone com I put a spell on you.

E agora, vamos lá sintetizar. Temos três campos: o amor (lirismo de Camões), o amor da pele à Bocage e o fado da desgraçadinha que sofre por ausência infernal do amante, ou da amante, que isto nos tempos que correm já se sabe como é. Ai, ai!
Bem, adiante.
Neste capítulo do nosso estudo, apenas três canções fazem para mim sentido. No primeiro caso o Into my arms, do Nick Cave, no segundo caso o I'm your man, do senhor Cohen, e no terceiro caso estou aqui indeciso entre o No distance left to run dos Blur e o Pois é, cantado pela Elis.

Para uma próxima oportunidade falaremos daquela parte em que ela vai e não vai e um gajo 'tá ali que nem fode nem sai de cima. Aí temos o "Lover you shouldn't come over" do Jeff Buckley, mas isso para vocês - à excepção do Taxi Pluvioso -  é informação a mais, para já.

Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

14 questões pertinentes:

fernanda disse...

olha olha, temos a mesma canção favorita -- no momento. e estive para pôr o sour times, mas há mais umas 3 pelo menos quase tão boas. o love me tender, confesso, leaves me a bit comme si comme ça. o sinatra, claro, e o dean martin, e a nina simone faltaram-me, mais a julie london (estava a pensar nela e no cry me a river -- também não te lembraste dessa, eu esqueci enquanto escrevia). já agora, a marilyn com one silver dollar -- vou ver se encontro.e os velvet, se for para os velvet, é femme fatale, que é obviamente uma fantástica canção de amor. como aliás o heroes e o space oddity, do tio bowie. vou copiar isto para o jugular.

Woman Once a Bird disse...

Cai-te tudo, eh eh.

Boa lembrança, Heroes, do Bowie.

Insisto também (and again) no Sweetest Embrace pelo NC e na versão da Nina Simone Wild Is The Wind. And of course, Gurb Song dos Migala.

jorge c. disse...

O Heros não foi uma falha, foi um acto influenciado pelo Cachimbo, porque se falou no Absolute Beginners e enquanto escrevia pensava qual das duas seria a melhor, e inconscientemente afastei-as por preguiça intelectual que é uma coisa que dá muito a pessoas que têm mialgias de esforço no cérebro, como eu.

Shyznogud disse...

aiii, o wild is the wind q prefiro é o da cat power.

Woman Once a Bird disse...

Também, também. Mas eu sou uma suspeita, que gosto tanto de Nina Simone que até gosto do Ne Me Quitte Pas com aquela pronúncia manhosa.
Mesmo que ela só tossisse, acho que ainda assim eu aplaudia. Cegueiras... :)

jorge c. disse...

O Miles Davis dizia do João Gilberto que até a ler um jornal ele soava bem.

Woman Once a Bird disse...
Esta mensagem foi removida pelo autor.
Woman Once a Bird disse...

PS (ao final do post):
Eu só me faço acompanhar pela Senhora.

privada disse...

There will never be,
another one like you, babe
There will never be,
another one who can do
the things you do, ohhhhhhhhhh

Will you give another chance?,
Will you try, little try?
In your mind in your mind
in your mind, bom trabalho magnifico Jorge C.

Paulo disse...

Ontem á noite apostei cinquenta euros comigo mesmo que ias escolher a into my arms. Ganhei cinquenta euros para mim.

mac disse...

My Lady d'Arbandville...

Que percebem os homens (raça de simbiotas!) de canções de amor???

jorge c. disse...

Gente chata:

ontem à noite, há onze anos atrás, eu já o tinha visto.
As melheres e os homes, bla bla bla, o tempo, a antropologia, a sociologia, a criação e o evolucionismo. É por aí. O Giddens explica.
A mulher dá à luz e o homem desenha-a.
É tão tarde e estou tão cansado. Estive 6 horas a ouvir tarolas e timbalões e pratos a grunhirem nos mues ouvidos. O meu único interesse musical, neste momento, é o Debussy.

JSA disse...

Vamos a ver, vamos a ver. É a melhor canção de que se fala, o que pressupõe que será boa se o intérprete for minimamente decente (digo eu). E aí não entram 80% das canções do Sinatra, que se não fossem cantadas por ele não valeriam o papel onde foram escritas.

Em matéria de sons, deixo a ideia do Only this moment, dos Röyksopp, já agora. Gostei da referência aos dEUS. Também se podem chamar os Postal Service para a conversa, com o Such Great Heights e o Nothing Better. Escolha-se qualquer dos volumes do 69 Love Songs dos Magnetic Fields e estão ali pérolas, senhores, pérolas. No departamento Bowie, prefiro relembrar o Rock n' Roll Suicide.

O Neil Young com, pelo menos, o Harvest Moon e o From Hank to Hendrix, mereceria ser lembrado.

E gosto ainda de relembrar o simples Endechas a Bárbara Escrava, com a letrinha do Luiz Vaz e a música do José Afonso.

E deixei os meus tidbits, por isso fico para já por aqui.

Pão Metálico disse...

Canções e mais canções e acabas com Debussy?